A SEGUNDA ESCOLHA DE DEUS

                                                                                                        Pe. Pasquale  Foresi

 

 

Essa  minha fala refere-se ao caminho que  os cristãos percorrem  para crescer na união com Deus.  Aqueles que conhecem  um pouco a história da espiritualidade encontrarão muitos pontos de  contato  em relação  aquilo que dizem os místicos e os grandes mestres nesse assunto.

 

Entretanto,  nas reflexões que  gostaria  de propor  encontram-se duas notas características: -  antes  de tudo, não se referem a conceitos teóricos, pois, tenho em vista   experiências dos últimos anos de muitas pessoas do Movimento dos Focolares.

 E a outra característica - que é a mais importante – trata-se de uma espiritualidade inteiramente cristã. As suas etapas foram descritas por Chiara Lubich de modo muito simples  e ao mesmo tempo profundo e original nas suas conversações sobre a Via Maria.

Nessa espiritualidade a ascese em direção à Deus está em  relacionamento   com o crescimento da unidade com os irmãos. Por isso tudo que eu vou dizer no que se refere a união com Deus tem sempre  de algum modo um reflexo no relacionamento com o irmão e vice-versa.

 

A NOSSA RESPOSTA A DEUS QUE É AMOR

 

Acreditar que Deus é amor implica em uma grande descoberta:  a descoberta do amor pessoal de Deus por nós, por mim. Ele com um amor infinito continua a querer-nos bem mesmo  se não  correspondemos aos seus dons ou se caíssimos nas maiores perversidades... Ele sempre  nos quer bem, nos ama sempre mais.

Aquilo que gostaríamos de perguntar então:  diante do bem que Deus nos quer,  do amor que Ele derrama  sobre cada um de nós, como deveríamos responder, ou seja,  o que  devemos fazer, o que  eu posso fazer?

Vamos por etapas. Jesus revelou-nos através do Evangelho como devemos  amar a Deus: “com toda a  mente, com todo o coração, com todas as forças”( Mc 12,28-34).

Quando  nós dizemos  que fizemos a escolha de Deus como o tudo da nossa vida, como o nosso único Ideal, o que é que queremos dizer? De fato, decidimos  amar a Deus com toda a mente, com todo o coração, com todas as forças? Concretamente o que significa?

 

COM TODA A MENTE

 

Amar a Deus com toda a mente implica duas coisas: que a mente não fique ocupada com pensamentos contrários a Deus e que toda a inteligência e toda capacidade sejam colocados a serviço de Deus, doados  a Ele.

De fato,  nos cristãos que atingiram uma grande maturidade percebe-se  quanto a sua mente está voltada ao serviço de Deus, da Igreja, da humanidade. Quando desempenham uma função procuram estudar  todos os meios  para  realizá-la inteiramente por Deus, sem  olhar para si próprio.

Observando a vida dessas pessoas não se concebe que a sua mente possa pensar  qualquer outra coisa que não  se destine ao crescimento do Reino de Deus no mundo.

 

Quando falamos  com elas, e pedimos para dizer algo sobre a sua vida pessoal,  é comum acontecer, que sem aperceber-se não conseguem falar sobre si mesmo,  espontaneamente referem-se  aquilo que os outros fazem, como crescem as pessoas e as obras que seguem.

Nos cristãos  que se encontram no início da vida espiritual , Deus não ocupa toda mente, e as atividades que desenvolvem são feitas por si mesmo e não por Deus. Ainda que  se empenhem em atividades na Igreja, mesmo  que  aparentemente  as façam por Deus, com freqüência  o fazem por outros motivos que não refletem uma verdadeira escolha de Deus. Agem por um ativismo natural  como agiriam  por qualquer outra opção de vida, por um visão de conjunto em relação ao crescimento da própria instituição, por gosto pessoal, para conseguir  lugar de destaque, para ser reconhecido pelos outros, e assim por diante.

Uma pessoa expressou  bem essa atitude quando   me dizia   que estava consciente do quanto trabalhava por Deus e quanto pouco tinha de Deus naquilo que fazia.

Talvez, possa-se trabalhar uma vida inteira fazendo apostolado, estando mergulhado nas coisas sagradas, sem nunca ter feito uma escolha profunda e verdadeira de Deus, no fundo procurando a si mesmo.

No entanto, como Deus  as ama, essas pessoas serão purificadas por Ele através do sofrimento; e na medida em que correspondem vão adiante na vida espiritual e Deus  cuidará sempre mais delas.. O amor de Deus é um amor “invejoso” que quer todos para Si, pois o ser humano é plenamente si mesmo, realiza e encontra a felicidade somente quando é totalmente de Deus. 

Por exemplo, observando muitos cristãos, constata-se  que se não tivessem conhecido o Evangelho permaneceriam pessoas insignificantes, medíocres, talvez pessoas boas que não teriam criado nada. Enquanto, na medida que Deus toma as suas inteligências conseguem fazer coisas maravilhosas para si e para os outros.

 

COM TODO O CORAÇÃO

 

Deus quer que nós doemos a Ele  todo nosso coração.

Na Bíblia o coração tem um sentido mais amplo, porém, eu gostaria de considerar somente aquilo que diz respeito a emotividade, ou seja,  toda gama dos sentimentos que possam ser  definidos com a palavra “coração”. Constituem um aspecto muito importante da nossa pessoa e  também não é fácil   administrar racionalmente, de modo a   ser encaminhado para ser doado totalmente a Deus. Em geral  tende-se a apegar-se  a muitas coisas que  não são Deus.

Também aqui são necessárias duas coisas.  Por um lado querer  com vontade firme doar totalmente a Deus  o nosso coração e por outro,  evitar dar espaço  aos sentimentos que são contrários aquilo que Deus quer. É necessário, então, a virtude da prudência. Uma vez que  o coração é cego e tem uma inteligência fechada que não consegue sair fora de determinados  labirintos,  é necessário então desapegar-se, afastar-se das ocasiões  que possam suscitar esses sentimentos.

Em certas ocasiões  para conseguir vencer , dirigir os próprios sentimentos  é preciso já ter   avançado um  pouco na santidade, ter superado  a purificação dos sentidos e talvez a do espírito. Enfim ter conseguido colocar  o coração de Jesus no lugar do nosso.

Entretanto,  aquele que passa por essas provações  nunca deve se desencorajar,  ou então, ter a pretensão de vencê-las sem  uma grande vontade de amar a Deus, usando de grande prudência.  Portanto, devemos desapegar-nos de tudo que não é Deus, que não vem de Deus.

 

Quando o nosso coração  quer escorregar para os desejos da carne, para a busca egoísta da riqueza,  para atração do poder ... o que devemos fazer?  Devemos enfrentar a situação  com audácia ou  com a  mortificação?

Nesse caso a audácia  seria só aparente, é necessária  a verdadeira  coragem para cortar. Devemos mortificar-nos para que se desenvolva em nós o “homem novo” ( expressão   usada por São Paulo), que vive na luz, que vê as coisas a partir de Deus.

As vezes um pode dizer: “queria vencer essas tendências  permanecendo no ambiente,  não fugindo mas enfrentando as tentações.  Nesse caso  é preciso convencer-se que é impossível; ou é um subterfúgio inconsciente para não cortar, ou então é uma ingenuidade ou falta de experiência.

As vezes se justifica até mesmo  com argumentos espirituais. Entretanto, são todos enganos que levam a muitos sofrimentos.

Em geral para superar determinados sentimentos basta colocar em comum as dificuldades, talvez com uma pessoa experiente na vida e nas coisas de Deus. Muitas vezes, só o fato de comunicar  os problemas  os mesmos  se redimensionam ou então ajuda encontrar a força para agir corretamente.

Naturalmente , ser prudente, cortar, mortificar-se é apenas o aspecto negativo, que é conseqüência do aspecto positivo que é querer amar a Deus e doar totalmente o coração a Ele. Nós não vivemos evitando, mas escolhendo  Deus e o seu desígnio de amor sobre nós e  sobre a humanidade.

Na medida em que nos doamos plenamente a Deus os nossos sentimentos se tornam divinos. Quando encontramos certas pessoas   que se doaram  completamente a Deus, percebemos que elas  se tornaram profundamente  humanas. Nota-se com escutam, como falam, percebe-se a sua compreensão, sabedoria, firmeza, misericórdia...

São  pessoas que agem seguindo as inspirações do Espírito Santo, e frequentemente se diz que chegam no momento certo, que incidem sobre as pessoas, que realizam obras que permanecem.

 

COM TODAS AS FORÇAS

 

Outro ponto é amar  com todas as forças.

Certas pessoas amam a Deus  e aos outros doando-se de tal modo, indo além das próprias forças até o ponto de ficar doente.

Certamente  Deus fica mais contente com aquele que adoece por dedicar-se totalmente a Ele do que   aquele que está apegado a si mesmo e procura poupar a suas forças. Entretanto,  não é necessário de nossa parte que  cheguemos  a ficar doente.

Muitas vezes ficar doente, exaurir-se significa ficar inativo por anos. Por isso devemos ordenar de tal modo a nossa vida que encontremos tempo para repousar e assim possamos continuar a doar-nos mais e melhor. A menos que Deus nos mande doenças sem que as procuremos. Nesse caso, é diferente pois as doenças  servem para nossa purificação. Quando se adoece realiza-se aquilo que São Paulo diz aos Colossenses: “Completa no meu corpo aquilo que falta aos sofrimentos de Cristo, para o seu corpo, que é a Igreja (1,24).

Quando  Deus nos dá essa  grande graça, mandando-nos  as provas através da doença é porque Ele tem um programa de grande desenvolvimento espiritual para nós, cheio de grandes frutos. Pode ser que não vejamos  agora, mas existe.

Freqüentemente Deus serve-se da doença para purificar  também os nossos sentidos externos, pois toda a  nossa pessoa deve ser possuída por Deus.

Do mesmo modo que existe  uma “noite escura do espírito” através da  doença Deus  pode permitir que passemos uma “noite escura do corpo”.

Como a alma deve ser purificada também o corpo deve passar por uma certa purificação.

A purificação absoluta virá com a morte,  pois  com a morte e a ressurreição  haverá a renovação de tudo. Entretanto, já nessa terra, uma certa morte do corpo serve para uma certa ressurreição do próprio corpo. De certo modo, é um início aqui na terra da ressurreição da carne.

 

A SEGUNDA ESCOLHA DE DEUS

 

A  esse ponto gostaria de fazer um outro passo.

Para amar a Deus basta fazer tudo aquilo que dissemos até aqui, mesmo com todas as imperfeições , que são inevitáveis? Ou Deus  quer um outra coisa?

Para aqueles que já se doaram com toda a mente, com todo o coração e com todas as forças , indo  além  de tudo,  Deus ainda pedirá uma outra escolha Dele. Em que essa escolha é diferente da primeira ?

A primeira vez entendemos que Deus devia ser amado acima de tudo, que devíamos colocá-Lo em primeiro lugar em nossa vida e com boa vontade  procuramos amá-Lo com todo o coração, com toda a mente e com todas as forças.

Se pudéssemos dividir essa nossa escolha veríamos que  contém 30% de amor de Deus,  30% dos efeitos da mediocridade e vazio em que vivemos, 15% de alegria e entusiasmo por termo--nos doado a uma causa  tão  bela e santa e talvez 10% de temor pelos pecados cometidos.

Quero dizer que é praticamente impossível na primeira escolha existir um amor total, pleno.

A partir do momento   que a perfeição só existe  na caridade, todos os motivos secundários  que nos ajudaram no início, porque estavam  inseridos na nossa boa vontade e do nosso desejo de amar a  Deus, aos poucos  surgem e nos prejudicam. E é lógico que venham à tona, pois já existiam antes, como o joio que cresceu junto com o trigo bom, segundo o Evangelho de Mateus ( 13,24-30). São pequenos apegos, defeitos, atitudes  que não são santidade autêntica.

 Talvez, nem sejam pecados , mas também não são amor.

A esse ponto o que devemos fazer?

Devemos fazer uma nova escolha de Deus. Ou seja, querer  apenas o amor de Deus, o amor puro e nada mais.

A Igreja diz que não é possível nessa terra viver ininterruptamente só  por amor à Deus. Porém, recorda o chamado  para começar a viver somente por Ele.

 

POR SEU AMOR

 

Percebe-se o quanto no início tudo  vinha misturado, influenciado e  toma-se consciência que é preciso amar a Deus com todo coração, com toda a alma, com todas as forças, porém por  Seu amor e nada mais.

È Deus que nos faz sentir a necessidade  de fazer essa segunda escolha, que é mais difícil do que a primeira, pois  é  tão sutil, tão divina que exige uma graça  para conseguir entendê-la. E quando acontece  é preciso saber quais passos devem ser feitos na vida.

Normalmente na primeira escolha como havia alegria, devíamos dar o passo no escuro. Ao doar-se completamente  apresentava-se a nós  toda uma vida sem  saber o que nos esperava, e por isso existia um medo  em dar o salto.

O mesmo acontece nessa segunda escolha: é preciso dar um salto no escuro. Mesmo sentindo que Deus nos chama   pode surgir  muito medo  para esse ato de doação.E pode surgir a pergunta: Mas eu já vivo somente por Deus... e ainda  devo doar tudo, tudo, ... fazer exclusivamente tudo somente por Deus? Eis a nova escolha que se nos apresenta.

Uma diferença em relação a primeira escolha é que aos invés de fazê-la com  os outros – como acontece  na nossa espiritualidade coletiva –essa nova escolha se faz sozinho, justamente porque o seu motivo principal  é o amor puro de Deus.

E o perigo maior  é que depois de ter feito essa escolha se volte atrás.  Na primeira vez, depois da escolha feita começa-se a fazer parte  de uma comunidade  em que os seus membros o fizeram também. A segunda escolha é puramente espiritual. A pessoa pode ou não fazê-la sem que muda nada aparentemente,  encontramo-nos sozinhos diante de Deus.  Ao lado da total generosidade com que queremos doarmo-nos a Deus, ocorre a possibilidade  de voltar atrás.

Também pode acontecer que uma pessoa nunca consiga dar esse passo. Então, estamos diante  de pessoas que mesmo tendo  feita a primeira  conversão de maneira bela e sincera  e que  na vida  evangélica  encontram-se  avançada,  entretanto permanecem naquele ponto a vida inteira sem que faça nunca a segunda escolha. São pessoas boas, porém com defeitos, com apegos..

Em relação a essas pessoas Deus intervém com graças especiais,  e muitas vezes com provas, para que não se acomodem naquele estágio.

 

UM ESCOLHA PARA  SER FEITA E REFEITA....

 

Penso que aquilo que é valido para a primeira escolha continua valendo para a segunda. Novamente, deve-se  mergulhar no amor de Deus, que mesmo sendo  obscuro no início, depois  será muito luminoso.

Como nunca é necessário viver o momento presente, senão  poderia se pensar:  não será possível  caminhar sempre e somente movido pelo amor. Deve-se dar o passo  agora e depois em cada momento presente que sucederá. Não é um passo que se faz para sempre, muitas vezes são necessários anos.

É um salto qualitativo  que deve ser feito, pois, escolho Deus não por aquilo que sinto e nem pelos frutos que  surgem dessa escolha, mas para amá-Lo por si mesmo, para responder com o meu amor pessoal ao Amor pessoal com o qual  Ele me ama. Devo encontrar nessa união com Deus o motivo da minha existência, da minha vida diária.

 

                                                                                          .....PARA TORNAR-SE UMA PESSOA LIVRE

 

Quando se chega a esse relacionamento com Deus  a pessoa torna-se verdadeiramente livre, e não fica mais condicionada; qualquer coisa que venha acontecer, dificuldades, calúnia,preocupação, amargura, não alteram a paz, pois vive-se enxertado em Deus. E em Deus encontra-se  a unidade interior, a alegria, a serenidade, que somente o amor de Deus pode dar.  Vive-se como se estivesse numa outra dimensão. Aqui entende-se bem  aquilo que  diz Santa Tereza d´Avila:  nos encontramos em uma outra mansão, com um outro modo de raciocinar. É tudo uma outra coisa.

Obviamente não é ainda o ponto de chegada. Deus é abissal na sua riqueza e no seu  amor e continua  operar maravilhas em nossa vida.

A vida do espírito vai em frente de maneira silenciosa e misteriosa.

Existe um período no qual a mesma meditação , tal como fazemos, lendo os textos, nunca se apaga porque quer nos chamar a uma vida mais profunda. Deus começa a tomar posse da nossa vontade, do nosso amor e por isso a meditação torna-se  mais um ato de amor do que de inteligência. Porém, pode despontar qualquer  perturbação por parte da inteligência, da memória e da fantasia que  ainda não foram tocadas por Ele.

Depois de algum tempo – talvez  dez, quinze anos -  se uma pessoa vive a sua vida totalmente em Deus, aos poucos, também a inteligência, a memória e a fantasia  são possuídas por Deus.

Entretanto, isso não quer dizer   que não existirão mais distrações  em nossa  vida de oração ,  de  unidade, em nosso escutar e fazer-se um com os outros. Certamente teremos  algum tipo de distração a vida inteira, porém, não serão como antes. Pode acontecer  por exemplo,  um sinal típico dessa etapa: a meia hora  que usávamos para  a meditação  torna-se pouco. Pode acontecer que se comece a meditação e depois perceba:  “ mas como, já passou uma hora, uma hora e meia e não percebi...”

 

.... E PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA ...

 

Desse modo, através de passos e escolhas sucessivas de Deus, Ele toma posse da nossa vontade, da nossa inteligência, fantasia, memória  ( em vista daquilo que é possível nessa vida) que  ainda não foram  por Ele fulguradas, tocadas, transformadas, divinizadas.

Muitas vezes, isso acontece quando ele manda purificações que chegam através das doenças. Em geral é necessário muito tempo, pois não somos  nós com a nossa vontade que podemos crescer, mas a presença de Deus que deve crescer em nós e vencer sobre a inteligência e a fantasia, e chegar ao ponto em que o próprio Deus se apossa do nosso coração e o transforma segundo o Seu.

Antes isso acontecia esporadicamente. Quando  ocorre definitivamente  atinge a etapa  chamada pelos místicos de “matrimônio espiritual”. Mas a vida não acaba  nesse ponto; ali começa uma vida mais plena e   maior.  Acontece, então, aquilo que os místicos  dizem: Marta se une a Maria, é vida contemplativa unida a vida ativa, com uma criatividade fecunda , em que talvez possam realizar  grandes obras que perduram através dos séculos, justamente porque se age sob o completo impulso do Espírito Santo.

Portanto, é um crescer contínuo em relação  aquilo que São Paulo  fala aos Gálatas ( 2,20) : “vivo mas não sou eu que vivo,  é Cristo que vive em mim ´.

Essas pessoas em tudo  que fazem tem uma incidência. A sua palavra adquire uma força e transforma; as vezes, é suficiente uma saudação para converter uma pessoa.

Quando elas falam  percebe-se que é Deus que fala através delas;  quando tomam iniciativas, realizam obras, percebe-se que são envolvidas por Deus.Vivem –se assim pode dizer – uma vida “naturalmente sobrenatural”.

Para elas a  escolha  de Deus é sempre renovada porque a vida em Deus é sempre nova,  inexaurível e  sempre prepara surpresas novas.

Diante  de realidades tão belas e importantes,  cada um poderia  ter a curiosidade  de saber a que  chegou. Ora, mesmo se todos  somos chamados  para seguir esse caminho não podemos ficar ali analisando em  ponto chegamos, até porque essas descrições  são mais tipológicas do que cronológicas; eu  posso esquematizar mas na vida as coisas são muito mais complexas e variadas. As etapas podem variar em sua duração,  de acordo com as pessoas e também, se sobrepõem parcialmente, pois para determinados aspectos pode-se estar em um determinado ponto do caminho e ao mesmo tempo  já ter começado saborear antecipações de etapas sucessivas.

O importante é que cada um siga a sua estrada onde Deus o colocou e viva com simplicidade e total fidelidade, com radicalidade  e concretamente o Evangelho.

Deus  se encarrega de conduzir-nos adiante  na vida espiritual.

Uma coisa é certa:  devemos renovar sempre a escolha de Deus.Talvez seremos chamados a uma terceira escolha, depois mais uma  outra, porque a vida de Deus é sempre nova, inexaurível e cheia de surpresas.