ESTUDO BÍBLICO

 

QUANDO E EM QUE LÍNGUA FOI ESCRITA A BÍBLIA?

 

A bíblia foi escrita por partes,  dentro de um período de mais de mil anos. Às  vezes, entre um livro e outro, houve um espaço de 100 anos. A maioria dos estudiosos afirma que a Bíblia começou a ser escrita em torno do ano 1000 antes de Cristo, no tempo dos Reis de Israel ( Saul, Davi, Salomão... ). O último livro foi escrito em torno do ano 100 depois de Cristo.

As cópias mais antigas da Bíblia estão guardadas na biblioteca  do Vaticano e no Museo Britânico.

Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico ou aramaico, menos o livro da Sabedoria, o segundo de Macabeus, trechos do livro de Daniel e de Ester, que foram escritos em grego. Todo o Novo Testamento foi escrito em grego, menos o evangelho de São Mateus, que foi escrito em aramaico. Ficou muito famosa uma tradução do antigo Testamento , feita do hebraico para o grego, duzentos anos antes de Cristo ( foi realizada por 70 sábios de Alexandria, no Egito ) – conhecida como “tradução dos 70”.

O hebraico era a língua do povo hebreu ou povo de Deus. Além do hebraico, havia entre os hebreus outra língua semita. Era o aramaico. 

A língua hebraica era especialmente religiosa, enquanto que o aramaico era mais usado no meio diplomático. No tempo de Jesus já não se usava mais o hebraico, e sim o aramaico.

Para entendermos a Bíblia precisamos nos colocar dentro do ambiente daquele povo, sua mentalidade e sua cultura.

 

NO QUE E COMO FOI ESCRITA A BÍBLIA

 

A Bíblia foi escrita a mão. Em cerâmica, em papiro ou em pergaminho. O barro servia para fazer não apenas vasos, mas também chapas, nas quais se escrevia. Os historiadores modernos tem feito escavações para encontrar escritos antigos gravados em chapas de argila cozidas.

 

DO PAPIRO VEM A PALAVRA BÍBLIA

 

Além da cerâmica, outro material usado para escrever a Bíblia foi o papiro. O papiro é uma planta que  teve origem no Egito. Nascia e crescia espontâneamente às margens do rio Nilo. No Egito o papiro chegava a crescer  até a altura de quatro metros ( Jó 8, 11-12). Do Egito o papiro passou para  a Síria, Sicília e Palestina, que é terrra  onde foi esctita a Bíblia. Seu caniço comprido era aberto em  tiras, as quais eram prensadas enquanto estavam úmidas. E assim formavam uma folha, semelhante ao nosso papel.

O papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos( Isaías18, 1-2 e Êxodo 2,3 ).

Dizem que 3000 anos antes de Cristo, os egípcios já escreviam no papiro. As folhas eram escrita em um só lado e depois guardadas em rolos. É daí que veio a palavra “Bíblia”. Porque essa película ou folha, tirada do caule do papiro, chamava-se “biblos” ( palavra grega que significa “livro” ). O plural de “biblion”, em grego, é  “bíblia”. Portanto, Bíblia quer dizer : “Os livros” ou “coleção de Livros”.

Vendo tudo isso, pensamos no trabalho que tiveram nossos antepassados para fazer a Palavra de Deus. Quanta dedicação!! Quanto zelo!!! Tudo feito a mão e guardado como tesouro, para todas as gerações, até o fim do mundo!

 

A BÍBLIA EM ROLO

 

Já na antiguidade o papiro enfrentou um forte concorrente para a escrita: o pergaminho. O que é pergaminho? É o couro do carneiro, curtido e devidamente preparado para nele escrever. Chama-se pergaminho porque começou a ser usado como papel na cidade de Pérgamo, 200 anos antes de Cristo. Pérgamo era uma cidade importante na Ásia Menor.

Na segunda carta a Timóteo, o apóstolo Paulo faz menção de textos bíblicos escritos tanto em papiro como em pergaminhos. Quando ele fala simplesmente “livros”, trata-se dos escritos em papiro ( 2 Tim 4,13 ).

Os pergaminhos e os papiros não eram encadernados em livros como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam rolos. Eram peças largas ( semelhantes a massa de pastel enrolada ) – ( ver Jeremias 36,2 ).

 

73 “LIVROS” NUM SÓ LIVRO

 

A Bíblia  é um só volume, mas reúne uma porção de assuntos diferentes.  São 73 Livros num só volume. Em geral, cada assunto é um livro: há um trecho da Bíblia que nos conta como o povo de Deus saiu do Egito. Este trecho constitui um livro, que recebeu o nome de “Livro do Êxodo”. Outro exemplo é o Livro dos Salmos. A palavra “salmos” vem da língua grega  e designa um poema que deve ser cantado ao som de instrumentos musicais. De fato, “Salmos” é um Livro da Bíblia que reúne 150 composições em forma de poesias. São orações de agradecimentos, de louvores ou de súplicas. ( Sl 150, 3-5 )

De onde é tirado o nome ou título do Livro? De diversos lugares e de vários modos. As vezes do assunto contido no Livro . Por exemplo: Livro da Sabedoria. Outras vezes vem do nome do autor. Por exemplo: Primeira Carta de Pedro.

Em geral são livros pequenos , por isso podem ser agrupados num só volume. Há dois Livros que não passam de mais de  uma página cada: a 2a e a 3a carta de São João.

 

A BÍBLIA, O LIVRO DE DEUS

 

A Bíblia não foi escrita à maneira de um livro qualquer. Ocorre com ela algo incomum. Apesar de os 73 Livros terem sido escritos num longo período de mais de 1000 anos, por autores diversos e em épocas diferentes, eles mantêm entre si uma unidade maravilhosa. Todos os livros são ligados entre si com um único “fio condutor”. Esta espécie de fio condutor faz com que todos esses 73 Livros não percam de vista o seu objetivo comum: a nossa Salvação.

É por isso que cada Livro da Bíblia deve ser entendido como parte de um todo. Nenhuma passagem pode ser vista e entendida isoladamente, mas sempre dentro do contexto da História da Salvação. Esta unidade entre os Livros acontece porque  DEUS É O AUTOR PRINCIPAL.

Embora cada livro trate de um assunto diferente e em circunstâncias diversas, vamos encontrar em cada um deles uma espécie de “dedo de Deus”. É Deus quem escreve para o homem a Sua mensagem de Salvação. Este é o espírito que devemos ler a Bíblia: buscando em cada livro a Palavra de Deus, que é sempre viva e atual.  Como Deus é o autor principal, nenhuma criatura humana pode alterar os textos sagrados.

( Deuteronômio 4, 1-2 e Apocalipse 22, 18-19).

 

 

MODO DE FALAR DOS SEMITAS

 

O povo semita era muito simples, bem diferente dos gregos e latinos, que eram desenvolvidos na filosofia. Os gregos e os latinos falavam uma linguagem mais racional, cheias de abstrações e conceitos filosóficos. Os semitas não. Era um povo intuitivo. Falavam uma linguagem bem concreta, personificando e encarnando o seu pensamento.

Por exemplo, um semita não usa as expressões: “natureza humana”ou “humanidade”. Ele emprega a palavra “carne”. Para dizer que a humanidade havia-se corrompido, o escritor sagrado escreveu: “Deus olhou para a terra e viu que estava perdida, porque toda a carne havia-se corrompido sobre a terra” ( Gn 6,12 ).

Para dizer que a mulher tinha a mesma natureza do homem, Adão se expressou com esta linguagem concreta e materializada:

“Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne. Ela se chamará mulher, porque foi tirada do homem ( Gn 2, 23 ).

Em vez de usar conceitos abstratos, os semitas recorriam a certos jogos de palavras que expressavam o seu pensamento de maneira concreta. Por exemplo, para dizer que estavam decididos a morrer, o hebreu dizia que “punha a sua carne entre os dentes”. Ainda a expressão: “trazer a vida na palma da mão ”significava também” estar prestes a morrer”. E por quê? Porque o que está na mão está para ser entregue. Vejam esta passagem do Livro de Jó:

“Porei a minha carne entre os meus dentes, e levarei na mão a minha vida”( Jó 13,14).

No profeta Isaías temos uma passagem que concretiza que a misericórdia de Deus está bem perto, fala que Deus “não tem mão curta”. E para dizer que Deus está sempre atento às nossas preces, fala que Deus “não é duro de ouvido” .

“Não, a mão de Javé não é curta para salvar nem o seu ouvido é tão duro que não possa ouvir. Antes, são os vossos pecados que criaram um abismo entre vós e o vosso Deus. Por causa de vossas iniquidades, Ele escondeu de vós o seu rosto para não vos ouvir”. ( Is 59, 1-2 )

Quem não leva em conta essas coisas próprias da língua do povo que escreveu a Bíblia, não conseguirá entender a palavra de Deus. Porque a Palavra de Deus , ao ser transmitida pelo homem, recebeu toda essa “embalagem” humana. Deus aceitou que a sua Palavra eterna , viva e verdadeira, ao ser transmitida se revestisse da roupagem humana do povo simples que a escreveu. É bom sabermos disso, porque caso contrário, podemos achar que a Bíblia é lenda e fantasia.

No caso de Adão e Eva, da cobra e da fruta. Trata-se de um modo de falar personificando tudo. Mas atrás dessa “fantasia”, existe uma verdade divina que Deus quer transmitir-nos: é a rejeição de Seu plano de amor por parte do homem, bem como as desastrosas consequências desse rompimento.

O escritor da Bíblia inventa esse diálogo da serpente com o homem e de Deus com a serpente , para mostrar-nos que existe o Maligno com a sua tentação. Essa tentação entra sempre por meio de uma mentira com aparência de verdade. Jesus disse que o Demônio é o “pai da mentira” ( Jo 8,44). Quando o escritor diz que Adão e Eva “abriram os olhos e viram que estavam nus”, ele quer dizer que “eles viram a sua triste realidade”. Ver-se “nu” é perceber o seu nada, a sua miséria extrema, o vazio de seu coração, visto que o homem já havia perdido a amizade com Deus ou estado de “justiça original” . Leiamos juntos Gênesis 3, 1-13 .

  

A PALAVRA “IRMÃO” E OS HEBRAÍSMOS

 

 Os orientais gostavam muito de falar provérbios. Por isso, frequentemente estavam  recorrendo a “hipérboles” . Hipérboles são expressões que exageram a verdade que a gente quer dizer, aumentando-a ou diminuindo-a. Era uma modo de falar muito comum entre os semitas. Querendo falar da grande dificuldade que um rico encontra para entrar no Seu Reino Jesus disse:

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” ( Mt 19,24 )

Ainda hoje usamos algumas dessas expressões: “É mais fácil chover canivetes do que ....”

Para entendermos a Bíblia também precisamos aprender um pouco sobre os “hebraísmos”. Hebraísmos são certas expressões próprias da língua hebraica. Não tem tradução em outras línguas. Por exemplo, para dizer que alguém ama uma pessoa mais do que outra, às vezes se diz que alguém “ama uma pessoa e odeia a outra”. Era um modo de falar chamando a atenção do ouvinte através de um contraste. Assim disse Jesus:

“Se alguém vem a mim e não odeia pai e mãe, mulher , filhos, irmãos, irmãs a até a própria vida, não pode ser meu discípulo”( Lc 14,26).

Jesus nunca nos ensinou a odiar ninguém, muito pelo contrário, Ele mandou amar até os próprios inimigos e querer bem os que nos tratam mal ( Mt 5, 43-44). O sentido de “odiar” é simplesmente que amemos mais. Indo mais profundamente, que devemos amar “somente a Deus” , porque nenhuma criatura merece ser amada “em si mesma”, mas somente “em Deus” . Deus não deve ter “rivais” no amor , como se existissem “pequenos deuses”.

Outra coisa muito importante é o sentido da palavra “irmão” na Bíblia. No hebraico não existem palavras como “irmão, tio, sobrinho”. Então, para designar qualquer parentesco, usa-se a palavra “irmão”.  Se não sabemos disso, podemos pensar que Maria teve outros filhos, além de Jesus porque a Bíblia nos fala dos “irmãos de Jesus”. ( Mt 13, 55-56ss)

Sabemos que estes “irmãos” são os primos de Jesus. Aliás, Jesus foi mais longe dizendo que todos aqueles que fazem a vontade de Deus são seus “irmãos”.( Mt 12,48 )

Outro exemplo está em Gêneses 11, 27-28.

“Eis a descendência de Taré: Taré gerou Abraão, Nacor e Arão. Arão gerou Lot.....”

Portanto, Lot era sobrinho de Abraão. Mais adiante a Bíblia fala que Lot era “irmão” de Abraão:

“Abraão disse a Lot: Rogo-te que não haja discórdia entre mim e ti, nem entre nossos pastores, pois somos irmãos”( Gn 13, 8)

 

 

OS ANTROPOMORFISMOS NA BÍBLIA

 

Os hebreus faziam muitos “antropomorfismos”. O que é isso? E a gente falar de qualquer coisa como se essa coisa fosse viva como ser humano. É a gente dizer que a árvore fala , sente, fica triste, alegra, etc, como se fosse gente e tivesse sentimento igual a nós.

É uma palavra grega, formada de duas palavras ”antropos”, que significa “homem”, e “morfé”, que quer dizer “forma”. Então nada mais é do que “dar forma humana” a um outro ser que não é homem. ( Salmo 148,3 )

Mas os antropomorfismos na Bíblia mais comuns são referentes a Deus. Para mostrar que Javé era um Deus pessoal, vivo e atuante no meio de seu povo, os hebreus falam Dele como se Ele tivesse olhos, boca, nariz, pernas e sentimentos como nós. É uma espécie de oposição aos ídolos dos pagãos, que eram deuses falsos: Não falavam, não viam, não ouviam, não agiam. Estavam longe e eram inertes. ( Sl 115, 13-15)

Já no Salmo 17 (18) mostra como o  verdadeiro Deus ( Javé ) escuta o grito do seu povo e vem, ao socorro de Israel.

Para criar o mundo, Javé vai dando ordens, e as coisas vão acontecendo ( Gn 1,3 ). Na linguagem dos semitas , Deus anda e conversa com o homem. Eis que está escrito após o pecado de Adão e Eva:

“Eles ouviram os passos de Deus que passeava no jardim, à brisa do dia, e  que o homem e sua mulher esconderam-se da presença de Deus entre as árvores do jardim.

Deus, porém, chamou o homem, dizendo: - Onde estás?”

 

FORMAS LITERÁRIAS

 

Para entendermos qualquer Livro da Bíblia, precisamos saber antes de tudo a que “gênero literário” pertence.  Gênero literário é a “forma” de literatura usada para escrever aquele livro. É o conjunto de regras e de expressões  usadas pelo autor.

Por exemplo, uma é a linguagem de poesia e outra é a  linguagem usada num código de leis.

Em geral, as Bíblias católicas trazem uma explicação no início da cada livro. Por isso a importância de lermos as notas explicativas que precedem aquele livro.

Em geral encontramos 9 gênereos literários na Bíblia:

 

1. Tratados Religiosos:

Apresentam verdades religiosas. Não podem ser entendidos como história propriamente dita. É, por exemplo , o caso dos 11 primeiros capítulos do Gênesis.

 

2. História Popular:

É uma mistura de história verdadeira com elementos de fantasia. Trata-se de um modo de ensinar religião. É o caso da história dos Patriarcas: Abraão, Isaac, Jacó e seus doze filhos.

 

3. História Descritiva:

Permanece a finalidade religiosa, mas as personagens e os fatos são todos verdadeiros, documentados pela história. São exemplos os livros : Samuel, Reis, Esdras, Neemias e Atos.

 

4. Gênero didático:

Trazem instrução religiosa ou moral. Fazem recomendações e dão orientações de vida. Exemplos destes livros são os Livros Sapienciais, Provérbios, Eclesiastes, Eclesiástico, etc..

 

5. Gênero Profético:

Apresentam a Palavra de Deus através dos profetas, que advertem, repreendem e encorajam o Povo de Israel diante da realidade em que vivem. Ex: Isaías, Ezequiel, Jeremias e outros.

 

6. Gênero Apocalíptico:

São visões proféticas sobre a sorte do povo de Deus. Ex: Apocalípse e certos trechos dos profetas.

 

7. Gênero Poético:

Apresenta a Palavra de Deus à maneira de poesia, usando, portanto, de maior liberdade e recurso literário. Exs: Salmos, O Cântico dos Cânticos e certos hinos espalhados pela Bíblia.

 

8. Gênero Jurídico:

A Palavra de Deus apresentada sob a forma de lei. Exs: Levítico, Números e Deuteronômio. Bem diferente da poesia.

 

9. Gênero Epistolar:

“Epístola” é uma palavra latina que significa “Carta”. O Gênero Epistolar traz a Palavra de Deus à maneira de cartas dirigidas a certas comunidades ou pessoas. Exs: cartas de Paulo e as chamadas “epístolas Católicas “.

 

O SIGNIFICADO DOS NÚMEROS NA BÍBLIA

 

Para os povos antigos ( tanto os gregos como os hebreus ) , os números tinham também sentido simbólico. Muitas vezes significavam qualidade e não quantidade. Os orientais não sabiam falar sem recorrer ao simbolismo dos números e dos provérbios.

Assim, por exemplo, para dizer que uma pessoa era virtuosa e abençoada por  Deus, a Bíblia diz que tal pessoa “viveu uma grande soma de anos”. Para dizer que o seu  Deus estava acima de todos os deuses juntos, os hebreus punham a palavra “Deus” no plural: “Elôhim”( deuses ) é o plural de “El”( Deus ). E Elôhim é o nome que os hebreus antigos davam a Javé, o verdadeiro Deus de Israel.

A mesma coisa acontecia com a palavra “Santo”. Para dizer que Javé era um Deus fiel e Santo, mais que todos os deuses dos pagãos juntos, os hebreus punham a palavra Santo ( Qadosh) no plural ( Qedoshim). Portanto, o plural tinha o sentido de perfeição e plenitude.

Outra curiosidade é que os números ímpares eram sempre mais perfeitos que os pares. Pelo fato de serem mais facilmente divisíveis, os pares eram tidos como inferiores ( davam a idéia de coisa fraca ou quebradiça ). Por isso os números simbólicos mais frequêntes na Bíblia são: 1, 3, 7, 10 e 12. O dez e o doze não são ímpares mais tinham uma razão especial para entrar na lista, vejamos a seguir:

 

1 – era o número perfeito por excelência, por ser o primeiro ou “origem” dos outros números.

 

3 – era número perfeito por ser o primeiro composto de ímpar e por representar o triângulo, que era uma figura perfeita com 3 faces iguais.

 

7 – o mais significativo na linguagem bíblica. Começa com a criação: Deus fez o mundo em 7 dias ( Gn 1, 1-31 ; 2 1-2 ). Indicava perfeição e totalidade. Em Mateus 18, 21-22, vemos Jesus dizendo a Pedro para perdoar até “setenta vezes sete” ( quantas vezes forem necessárias – infinitamente ).

 

10 – o número dez entrou na lista de números perfeitos porque são 10 os dedos das mãos. E essa era a maneira primitiva de se contar.

 

12 – era um número simbólico porque o ano se divide em 12 meses. Indica plenitude e perfeição. As tribos de Israel eram em 12 ( Gn 35,22-26 ). Os apóstolos eram em 12 ( Mt 10, 1-5 ). A Nova Jerusalém, mencionada no Apocalipse, tem 12 portas guardadas por 12 anjos. A Cidade Santa tem 12 estádios ( Ap 12 ) . E o número dos eleitos era 144 mil, sendo doze mil de cada uma das doze tribos de Israel ( Ap 4- 8 ).

O número 12 que em si já é perfeito, multiplicado por mil dá a idéia de plenitude; e doze mil multiplicado por 12 vem dar a idéia de perfeição máxima, ou da vitória completa de Cristo e de felicidade plena dos bem aventurados na Jerusalém celeste.

 

O NOME DE DEUS NA BÍBLIA

 

Quando Jesus nasceu, foi-lhe dado o nome de “Jesus” ( Mt 1,25 ). Antes disso não se encontra na bíblia nenhum lugar onde se dá um nome para Deus.

A razão é a seguinte:  para os semitas o nome não era apenas uma palavra externa com a qual chamamos alguém. O nome possuía um  conteúdo interior. Deveria significar aquilo que a pessoa era no íntimo de seu ser. Não ter nome era a mesma coisa que não ter existência.

Daí a dificuldade em chamar Deus por um nome. Quem poderia penetrar no íntimo de um Ser Divino? Quem teria o conhecimento dos Mistérios da natureza de Deus? Por isso Deus é “inefável”, isto é, “indizível” ( impossível de ser compreendido e mencionado. Não haviam palavras que pudessem traduzir o Ser de Deus. Razão por que não poderia haver um nome para Ele. 

Por isso quando Jesus envia os discípulos para pregar e batizar “em seu nome “, é como se o próprio Cristo estivesse pregando e batizando. Pois “em nome” de alguém , na linguagem bíblica , significa agir em lugar daquela pessoa. ( Mt 10,40 e Lc 10,16 )

 

Não vamos encontrar na bíblia um “nome próprio” para Deus, mas encontraremos certas expressões que designavam a Pessoa Divina. Eis as mais conhecidas:

 

Elôhim: é o plural de “EL”. Ao pé da letra significa: os deuses. Mas o sentido que se dá é este: o Senhor ( Ex 18,11 ).

 

ADONAI:  quer dizer - meu Senhor; ou meu Deus; ou o meu Mestre. Como no caso anterior, é uma forma plural de “Adôni” ( meu Senhor ) - ( Dt 3,24 )

 

ELYON: a palavra “El - Elyon”, traduzida ao pé da letra, significa: a parte mais alta de algum lugar. É usada para dizer  “o Deus Altíssimo” de  Abraão ou dos  arameus ( Gn 14, 18-22; Nm 24,16 ).

 

SADDAI:  uma palavra que significa: “o Todo Poderoso”,  “O Senhor”. Exemplo: “Pelo  Deus de teu pai que te socorre. Por El Saddai, que te abençoa” ( Gn 49,25 ). O livro de Jó emprega 31 vezes o nome “Saddai”.

 

JAVÉ: quer dizer “Eu sou aquele que sou” ou “Eu sou aquele que é “ ( Jaheweh ) -  Ex 3, 14 . É o nome que Deus deu a si mesmo, quando Moisés lhe perguntou qual o Seu nome. No entanto não é propriamente um nome.  Alguns veêm nessa expressão, ”Eu sou o que sou”, uma afirmação de que Deus existe por si mesmo, enquanto os deuses dos pagãos não passam de estátuas feitas pelas mãos do homem.  Também tem o sentido de um Deus-Presente, que é fiel e está sempre junto do seu povo.

 

JEOVÁ: é uma tradução errônea de “Yahweh” ( Javé ). Isso tem uma explicação: os judeus tinham excesso de respeito com o nome de Deus. O segundo mandamento do Decálago não permitia que se pronunciasse o nome de Deus em vão ( Ex 20,7; Lev 24,16 ). Então por medo de usar indevidamente um nome tão sagrado, os judeus passaram a escrever “Javé” somente com as 4 consoantes, sem as vogais. Então ficou: YHWH. Posteriormente eles colocaram nessas 4 consoantes as vogais da palavra “Adonai”, que quer dizer Senhor. E nessa transcrição, o  “a”  passou a ser  “e” , de onde surgiu “Yehowah”( Jeová ) em lugar de Yaheweh ( Javé ). Portanto o significado é o mesmo de Javé, ou seja, “o Senhor” ou simplesmente “Deus”.

Os israelistas tinham muito respeito  pelo nome de Deus, e evitavam até de pronunciar a palavra “Deus”. São Mateus em seu evangelho quando fala especialmente aos judeus,  não  fala “Reino de Deus”, mas “Reino dos Céus”. ( Mt 4,17)

 

O POVO DE ISRAEL : SEU NOME

 

Em geral, entre os semitas, os nomes próprios significavam a vocação que a pessoa havia recebido de Deus, ou alguma intervenção de Deus na vida da pessoa, como no nascimento providencial ou mudança de profissão por ordem divina.

Assim, por exemplo, “Isaac” quer dizer: “Ele Ri”, porque quando Deus disse a Abraão que iria dar-lhe um filho, Sara começou a rir, visto que estava com quase 100 anos de idade. “Jesus”quer dizer ”Jave é Salvação”. “Malaquias” quer dizer : “Meu Mensageiro”. “Moisés” quer dizer: “Tirado da água”.

Quando uma pessoa mudava de profissão por intrevenção divina, mudava-se também o seu nome. Por exemplo, “Abrão” ( Abrâm) significava: “Pai Elevado”. Mas quando Deus o chamou para dar origem ao seu povo, ele passou a chamar-se “Abraão” ( Abrahâm ), que quer dizer: “Pai das Multidões”( Gn 17, 5 ).

Assim também aconteceu com Pedro. Seu nome de família era Simão ( Mt 10,2 ). Depois , em vista de vir a ser a pedra-base da igreja, Jesus mudou-lhe o nome para “Kefâ”, que quer dizer “Pedra” ou “Rocha”. ( Jo1,42 )

Com Jacó , filho de Isaac, deu-se  coisa parecida. Seu nome de origem era Jacó, mas depois que lutou com um personagem misterioso no vale de Jaboc e saiu vencedor, seu nome mudou para “Israel” que quer dizer: “Deus é forte” ou então  “ele luta com Deus.     ( Gn 32,25-30)

Esse novo nome de Jacó passou depois para sua descendência, que ficou chamada de “Povo de Israel”.  Muitas vezes a Bíblia se referindo ao povo de Israel , fala-se simplesmente “Israel” como se tratasse de uma pessoa. ( Is 27,6 )

 O povo de Israel é também chamado “Povo Hebreu” ou ainda “Povo Judeu”.

A palavra Judeu vem de “Judá” , que era o quarto filho de Jacó, do qual se  formou a tribo de Judá.

A partir do cativeiro na Babilônia, a prática religiosa dos judeus passou a chamar-se “Judaísmo”.

 

A “ALIANÇA “ NO ANTIGO TESTAMENTO

 

 A bíblia se divide em Antigo e Novo Testamento. A palavra testamento na Sagrada Escritura tem o sentido de “Aliança”. Tanto que podemos dizer Antiga e Nova Aliança. Na verdade, toda a Bíblia gira em torno da aliança de Deus com os homens.  “Aliança” é um “contrato” muito especial. Um pacto de amor entre pessoas. Um compromisso de fidelidade entre Deus e os homens. Essa aliança foi sempre “selada” com um sinal visível.

Com Abraão, o sinal da aliança foi feito através das carnes das vítimas divididas ao meio ( Gn 15, 1-18) . Com Moisés, a Aliança ficou gravada na Pedra da Lei, que se chamou Decálogo ( significa 10 sentenças ).

Essa Aliança gravada na pedra teve também uma espécie de ‘selo’ : foi o sangue de animais. Os israelitas ofereceram a Deus um sacrifício de bois. ( Ex 24, 7-8)

Toda infidelidade à Aliança era considerada um adultério, como no casamento.

Meditemos sobre nossa fidelidade a Deus nesta passagem de Jeremias 2, 11-13.

 

A NOVA ALIANÇA

 

Todas as Alianças realizadas no Antigo Testamento foram como etapas na caminhada para a Nova e Definitiva Aliança. Diríamos que o Novo Testamento não apenas “completa” o antigo, mas “realiza” toda a Promessa de Deus e as esperanças dos homens em termos de Salvação. ( Jr 31,31-33)

A Nova Aliança é superior, porque Jesus mesmo é o “penhor” dessa Aliança ( Hb 7,22). No Antigo Testamento a Aliança foi gravada em pedra e selada com sangue de animais. Na Nova Aliança é gravada no Espírito e selada com o Sangue de Jesus. O próprio Jesus fala isso na Ceia da quinta feira santa. ( Mt 26, 27-28)

Outra característica da Nova Aliança é que ela não é feita somente com o povo de Israel . É uma Aliança Universal, aberta a todos os homens que aceitarem a proposta da Salvação trazida por Jesus.

Mas a grande novidade da Nova Aliança é que ela não é feita simplesmente “por” Jesus, mas “em” Jesus. A pessoa de Jesus, pelo próprio ato de Encarnação, já reúne em Si os dois lados da Aliança:  a Divindade e a Humanidade. Por ser Deus e Homem , Cristo já é, Ele mesmo, a realização da Aliança de Deus com os homens. Para ser salvo, basta que o homem aceite  Jesus como tal e nele creia.

 

A FIGURA DO MESSIAS NO ANTIGO TESTAMENTO

 

O povo de Israel  viveu de esperança, porque acreditou na Palavra de Deus que lhe prometeu enviar o Salvador. Essa promessa e essa esperança passaram de geração em geração, até o nascimento de Jesus. Tanto que o velho Simeão aguardava anciosamente esse dia. Quando  ele pegou  o Menino Jesus nos braços, exclamou:

“Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a Vossa Palavra. Porque os meus olhos viram a Salvação”. ( Lc2, 29-31 )

Sem Jesus o Antigo Testamento não seria entendido. Da face de Cristo projeta-se uma luz que clareia todas as Alianças antigas e nos ajuda a entender tudo aquilo que a seu respeito foi anunciado. Sem Jesus haveria uma promessa não cumprida, uma esperança frustrada, uma Aliança desfeita, uma história inacabada.

O Messias foi visto sob vários aspectos. Ora como profeta ( Dt 18,15), ora como sacerdote ( Sl 110 ( 109) ), ora como “Filho do Homem”( Dn 7, 13 ), ora como Rei vitorioso ( Sl 97, 6.8-9).

Já no livro de Isaías, vemos que o Messias seria um servo extremamente humilhado.      ( Is 53,3-7)

Ezequiel, por sua vez, anuncia um Messias que será Pastor de rebanho ( Ez 34, 11-15).

Na verdade, Jesus foi tudo isso: profeta ( Mt 21,11 ), sacerdote ( Hb 7) , Filho do Homem ( Mt 17,21-22). Essa expressão Filho do Homem aparece 81 vezes nos evangelhos.

Jesus foi também o Rei Vitorioso, pois ressuscitando dos mortos, venceu o pior dos inimigos: a morte ( Mt 28) . Foi também extremamente humilhado e desfigurado sob a cruz ( Mt 27, 27-49).

O Título que “parece ficar melhor” para Jesus foi o de Bom pastor. ( Jo 10,7-11)

 

A NOVA E A ANTIGA ALIANÇAS

 

A Aliança Antiga é a promessa; a Nova é a sua realização. A Antiga é a aurora; a Nova é o dia.  ( 2 Pedro 1, 19)

Jesus não apenas anunciou a Salvação: “Ele é a Salvação”. ( Jo 10, 9)

Jesus não apenas ensina o caminho: “Ele é o Caminho”.

Jesus não apenas diz a verdade: “Ele é a Verdade”.

Jesus  não apenas traz a vida: “Ele é a Vida”.

 

“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM”( Jo 14, 6).

 

Diferente de todos os profetas, Jesus não apenas anuncia a ressurreição e a vida eterna. Ele mesmo “é” a Ressurreição e a Vida Eterna. ( Jo 11,9)

 

“EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA. QUEM CRER EM MIM AINDA QUE MORRA VIVERÁ”.

 

Dizendo que é o “alfa e o ômega”, Jesus afirma que nada existe fora dele e sem Ele e que tudo caminha para Ele, pois é o Senhor da História.

 

  

Bibliogarfia: Conheça Melhor a Bíblia.

Pe Luiz Cechinato

Ed Vozes