Nas Sagradas Escrituras encontraremos nas descrições dos profetas Jeremias ( 2,2-3,1 e 31,3), Ezequiel (16 e 23) e Isaías (50,1; 54,5-7; 62,1-5) a comparação da Aliança que une Deus ao povo de Israel com um casamento. Se olharmos para a história, veremos que este "casal" nem sempre foi feliz, pois a "esposa" (povo), demonstrou-se muito volúvel e infiel. Já o "esposo" (Deus), soube manter-se contra ventos e tempestades, pois ele nunca perde a esperança de ver a mulher voltar e poder recomeçar com ela a grande história de amor iniciada. O amor de que aqui se trata não se deve basear penas no prazer de estarem juntos, na emoção, na infinita repetição do "eu te amo", mas principalmente, na opção de despojar-se do seu desejo para se colocar ao lado da necessidade do outro. É com Deus que o homem vai aprender o que é casamento! Não basta formar um casal para ser semelhante a Deus; é preciso que este viva à Sua imagem: num amor fiel que quer sê-lo para sempre. Neste processo de "aprender a amar", o perdão é o que dá a duração ao amor. Não se trata de esquecer ou ignorar uma mágoa profunda, mas abrir-se novamente à doação. O perdão aproxima, trata as feridas, aquece. É a oferta de um novo começo, uma nova primavera, se só dura porque recomeça...
Já no Novo Testamento, Jesus é apresentado como o Esposo, tal como Deus de Israel, e a igreja como o novo Israel, o novo povo de Deus. Jesus deixa o Seu Pai para se unir a Igreja e com ela ser um só Corpo. Na Cruz entrega-se por ela! O mistério da Cruz é o mistério nupcial por excelência. Este é o melhor caminho para que possamos entender a indissolubilidade do sacramento do matrimônio. Jesus amou--nos até o fim, da mesma forma, os "maridos devem amar as suas mulheres como Cristo amou a Igreja" (Efésios 5, 21-33). Amar como Ele significa "entregar-se", consagrando-se totalmente a ela. Como Cristo, sua preocupação deve ser a santificação de sua esposa, ajudando-a a atingir a semelhança ao Deus santo. Sair de si, descentrar-se, para centrar no outro e se entregar por ele. A mesma coisa se espera da esposa em relação ao marido.
"O matrimônio é uma instituição de direitro natural, que foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento. Respeitai-o, venerai-o. Ao mesmo tempo, Deus vos chama a respeitar-vos no namoro e no noivado, pois a vida conjugal, por disposição divina, está destinada aos casados; é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes fazer a castidade, dentro e fora do matrimônio. O "eros" quer nos conduzir para além de nós próprios, para Deus, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações por um bem maior, que é precisamente o amor de Deus sobre todas as coisas. Procurai resistir com fortaleza às insídias do mal, que vos leva a uma vida dissoluta, paradoxalmente vazia, ao fazer perder o bem precioso da vossa liberdade e da vossa felicidade. O amor verdadeiro "procurará" sempre mais a felicidade do outro, e por isso será sempre mais fiel, indissolúvel e fecundo. Para isso contais sempre com a ajuda de Jesus Cristo, que com a Sua graça fará isso possível" (Bento XVI durante visita ao Brasil).
"Ao homem isso é impossível, mas a Deus tudo é possível" (Mt 19,26)




